O que é o cometa 3I/Atlas? E por que ele alimentou as teorias da conspiração sobre naves alienígenas?

Correm soltas as especulações sobre o objeto identificado pela primeira vez em julho e suas supostas intenções alienígenas, mas a maioria dos astrônomos afirma que, na verdade, ele é um cometa vindo de outro sistema estelar.

O 3I/Atlas é apenas o terceiro objeto interestelar — vindo de fora do Sistema Solar — já observado pela ciência. Sua trajetória e velocidade indicam que ele veio de outra região da galáxia e fará apenas uma passagem pelo nosso sistema antes de ir embora no início de 2026.

Por que virou assunto?

Algumas características chamaram atenção e alimentaram especulações nas redes sociais.
O astrofísico de Harvard Avi Loeb cogitou a hipótese de que o objeto pudesse ser artificial, o que gerou memes, manchetes e até comentários de figuras como Elon Musk e Kim Kardashian.

Mas a Nasa e a maior parte dos astrônomos afirmam que não há qualquer evidência de tecnologia alienígena.

O que já sabemos

O cometa foi detectado em julho de 2025 pelo telescópio Atlas, no Chile.
As primeiras medições indicam que ele pode ter entre 440 metros e 5,6 km de diâmetro e viaja a cerca de 61 km por segundo.

Astrônomos acreditam que o 3I/Atlas se formou há bilhões de anos, possivelmente antes mesmo do Sistema Solar, durante o nascimento de um sistema estelar distante.
Ele veio da direção da constelação de Sagitário, onde fica o centro da Via Láctea.

Aceleração misteriosa — mas explicável

Durante a aproximação do Sol, o 3I/Atlas apresentou uma aceleração não gravitacional, o que alguns interpretaram como possível “motor alienígena”.

Especialistas explicam, porém, que isso é típico de cometas:
quando aquecidos, eles liberam jatos de gás e poeira — processo chamado desgaseificação — que age como um “empurrão”.

O objeto também ficou muito brilhante rapidamente, o que pode indicar a presença de gelo fresco. Há relatos de possíveis mudanças de cor, mas astrônomos dizem que isso pode ter causas naturais, como reações químicas na superfície.

Composição curiosa

Observações indicam grande quantidade de dióxido de carbono e níveis elevados de níquel — algo que gerou teorias fantasiosas, mas já foi observado em outros cometas, como o 2I/Borisov.

O níquel pode refletir:

  • o ambiente em que o cometa se formou, ou
  • alterações químicas causadas por bilhões de anos viajando no espaço interestelar.

Quando vai embora?

O cometa passou atrás do Sol em outubro e será visível novamente até 19 de dezembro, quando chegará ao ponto mais próximo da Terra: 270 milhões de quilômetros — uma distância totalmente segura.

Astrônomos amadores poderão observar o 3I/Atlas com telescópios de 8 polegadas.

Por que esse cometa importa?

Como apenas três objetos interestelares foram detectados até hoje, o 3I/Atlas é uma oportunidade rara para estudar:

  • como outros sistemas formam cometas,
  • a química primordial da galáxia,
  • e como o nosso Sistema Solar se compara aos demais.

Novos telescópios, como o Observatório Vera Rubin, devem revelar dezenas de objetos interestelares na próxima década, ajudando a resolver esses mistérios.

FONTE: G1



Acompanhe nosso Instagram

Entre em contato pelo nosso WhatsApp