Um novo laudo médico revelou uma piora significativa no estado de saúde mental de Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018. O diagnóstico, agora, é de esquizofrenia paranoide em estágio avançado, com presença constante de alucinações e grave ruptura com a realidade.

O documento foi encaminhado à 5ª Vara Criminal de Campo Grande e recomenda a internação de Adélio em um hospital psiquiátrico de custódia, diante do risco contínuo de periculosidade. Mesmo assim, uma decisão judicial mantém sua permanência no sistema prisional federal até 2038, quando ele completará 60 anos.

Quadro mental se agravou ao longo dos anos

A avaliação foi solicitada pela Defensoria Pública da União e realizada no início de novembro de 2025. Segundo os peritos, houve uma deterioração clara do quadro psiquiátrico, com intensificação das alucinações e comprometimento ainda maior da percepção da realidade.

Desde a primeira perícia, em 2019, quando Adélio foi considerado inimputável, o diagnóstico evoluiu de transtorno delirante paranoide para esquizofrenia paranoide. Os médicos destacam que não houve remissão real dos sintomas ao longo dos anos.

O laudo aponta ainda ausência total de consciência da doença, recusa sistemática de tratamento e delírios persistentes de cunho religioso, político e persecutório. Em registros recentes, Adélio chegou a afirmar que “não é doido” e rejeitou qualquer acompanhamento psiquiátrico.

Prisão agrava o quadro, dizem especialistas

Os peritos são categóricos ao afirmar que o ambiente prisional agrava a condição mental de Adélio. Câmeras, vigilância intensa e isolamento social funcionariam como gatilhos para a manutenção dos surtos psicóticos.

Atualmente, ele vive sozinho em uma cela de cerca de seis metros quadrados, evita contato com outros detentos, não participa de atividades coletivas e não mantém conversas regulares. Desde 2018, não leu livros nem demonstrou integração com o ambiente carcerário.

Apesar disso, a Justiça mantém a decisão que impede sua saída antes de 2038. O laudo sugere, como alternativa, o encaminhamento para tratamento especializado em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio — recomendação que, até o momento, não foi acatada.

Ataque de 2018 ocorreu durante surto psicótico

Os especialistas também reavaliaram o atentado contra Jair Bolsonaro à luz do quadro atual. Todas as perícias são unânimes ao afirmar que o ataque ocorreu durante um surto psicótico, com perda total do juízo de realidade e incapacidade de autocrítica.

Segundo os laudos, os delírios apresentados hoje são semelhantes aos observados na época do crime. A Polícia Federal, em dois relatórios distintos, concluiu que Adélio agiu sozinho, apesar das controvérsias envolvendo antigos vínculos de sua defesa — questão que nunca foi totalmente esclarecida.



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